Código de trânsito no super
Martha Medeiros
Meses atrás fiz o teste para renovar minha carteira de motorista. Reparei – e até rendeu matéria aqui em Zero Hora – que certas perguntas são quase infantis (o que você faz se um guarda lhe aplica uma multa? Suborna-o? Pergunta se ele sabe com quem está falando?) e há outras que seriam melhor respondidas por um médico (se um acidentado apresenta o lábio roxo e a caixa torácica sem movimento, ele está tendo o quê? Um desmaio? Um derrame? Uma parada respiratória?). Tem que saber.
Porém, uma das perguntas com que mais simpatizei foi: se com o carro em movimento você abrir o vidro e avisar o motorista ao lado que ele está com a porta mal fechada, você está sendo gentil, cumprindo a lei ou tumultuando o tráfego? Parece que isso nada tem a ver com regras de trânsito, e não tem mesmo: a resposta certa é que você está sendo apenas gentil. Porém, gentileza também conta e deve ser aplicada sempre que você estiver dirigindo seu carrão. Ou se carrinho.
Nos corredores do supermercado não há regras de trânsito estabelecidas, mas um mínimo de bom senso ajudaria bastante os transeuntes. É muita gente circulando nem espaço exíguo. Não custa nós mesmos criarmos algumas regras, já que o Detran não se ocupa deste assunto.
Por exemplo, se o corredor está congestionado, deixe seu carrinho na esquina de uma gôndola, vá caminhando sozinha até o produto que você quer pegar e depois volte. O carrinho não está grudado no seu corpo, você pode abandona-lo de vez em quando para aliviar o rush.
Mas lembre sempre onde o deixou – é que nem estacionamento de shopping, a gente se distrai e cadê o carro?
Se dois carrinhos colidiram, não se irrite. Ninguém sabe quem está na preferencial, não existe placas de sinalização, então simplesmente sorria e peça desculpas, mesmo sem ter culpa. Não custa ser simpático e civilizado.
Cuidado para não subir com o carrinho no calcanhar de quem caminha a sua frente, não deixe seu carro no meio do corredor atrapalhando o trânsito e pense três vezes antes de utilizar aqueles carros gigantes onde cabe uma criança dentro. Aliás, criança no super, pra quê?
Por fim, se você já está na fila do caixa e esqueceu de buscar um produto imprescindível, deixe o carrinho ali e voe, não ouse dar uma paradinha para provar um biscoito oferecido pelas promotoras de venda ou engatar um papo com uma conhecida. Seu carrinho está lá abandonado, ocupando lugar. Vá e volte num pé só. Mas o ideal mesmo é você trazer de casa uma listinha de compras e assim não esquecer de nada. Sei que é fácil falar: eu também sempre lembro de alguma coisa quando estou quase pagando.
No mais, é manter o bom humor. E agradecer todos os dias por estes carrinhos não possuírem buzina e não descontarem pontos da nossa carteira.
Domingo, 20 de maio de 2007.
Desenvolvido por Carlos Daniel de Lima Soares.